A fundação do Mosteiro de Santa Clara, no século XIII, insere-se num contexto religioso renovado pelos ideais de São Francisco e Santa Clara. Foi primeiramente fundado por D. Mor Dias, na margem esquerda do Mondego e perto de um convento franciscano que já lá existia. Este primeiro complexo, datado de 1283, era dedicado a Santa Clara e a Santa Isabel da Hungria, e foi causa de disputa por parte dos cónegos de Santa Cruz de Coimbra. Este acontecimento leva à extinção do mosteiro de D. Mor, em 1311, sendo que, em 1314, a Rainha D. Isabel de Aragão, esposa de D. Dinis, se empenhou na sua refundação. A reedificação deste novo mosteiro seria da responsabilidade de Domingo Domingues, mestre do Claustro do Silêncio de Alcobaça, e, posteriormente, de Estêvão Domingues, que concluiu a igreja e construiu os claustros. O templo é de aparência românica, apresenta uma cabeceira mais baixa, cuja abside e absidíolos apresentam forma poligonal, uma característica que se denota com mais intensidade no gótico. Outros pontos a referir são as suas três naves de altura análoga e abobadadas em pedra, algo pouco usual nas construções mendicantes que utilizavam a madeira, e ainda a ausência de transepto que permite o alongamento do claustro e faz com que este seja, a nível europeu, a maior construção deste tipo em estilo gótico.
Ainda junto ao mosteiro, a rainha D. Isabel construiu um hospital para os pobres, com um cemitério e capela, e ainda um paço, onde mais tarde viverá o seu neto, D. Pedro, e D. Inês de Castro, local onde viria a ser executada em 1355.
Um ano após a sagração da igreja (1330), uma cheia do Mondego prenunciava a constante convivência com as águas ao longo de séculos, o que levou ao alteamento constante do piso térreo. Porém, durante o século XVII, as freiras foram obrigada a construir um piso superior ao longo do templo, desocupando o inferior, o que acabaria por acontecer com as restantes dependências. O Mosteiro de Santa-Clara-a-Velha foi definitivamente abandonado em 1677, consequência das insustentáveis condições de habitabilidade e que obrigaram a comunidade a erguer um novo complexo. Este último situa-se no Monto da Esperança e, dando continuidade ao seu precedente, recebeu o nome de Santa-Clara-a Nova.
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Exterior do Mosteiro
de Santa-Clara-a-Velha |
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Exterior do Mosteiro
de Santa-Clara-a-Velha |
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Rosácea no exterior do Mosteiro
de Santa-Clara-a-Velha |
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Fragmento do Claustro
de Santa-Clara-a-Velha |
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Portal no exterior
de Santa-Clara-a-Velha |
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Pormenor do interior
de Santa-Clara-a-Velha |
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| Interior de Santa-Clara-a-Velha |
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| Interior de Santa-Clara-a-Velha |
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| Interior de Santa-Clara-a-Velha |
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| Interior de Santa-Clara-a-Velha |
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